quinta-feira, 21 de Agosto de 2014

O Universo é irónico como o caralho

Um amigo do gajo que começou a cena do ice bucket challenge morreu afogado a celebrar uma mega angariação de dinheiro.

terça-feira, 19 de Agosto de 2014

Há dias em que parece que o mundo me quer roubar

Ou é a puta da EDP que tem como política não avisar os consumidores da modalidade 'conta certa' de que andam a pagar menos do que consomem para depois lhes pedir balúrdios de acertos no final do ano ou quando se rescinde o contrato; ou é a La Redoute que anuncia saldos loucos e eu encomendo roupas para a miúda que eram baratíssimas, faço o check out e de repente vejo que encomendei uns calções a 19€, 19€ puta que pariu? Tenho a certeza que não custavam isso porque só escolhi as coisas mais baratas, ainda estou para ver o que aconteceu; ou é a TMN a mandar-me mensagens a meio do mês a dizer que excedi o plafond de minutos (enfiem os plafonds no rabo, estou cheia de vos ouvir); ou é o reforço da vacina não sei do quê da miúda que custa 70€; ou é a carne nos talhos que está pela hora da morte, uma pessoa compra três coisinhas e de repente pedem-lhe 15 euros e nenhuma destas coisinhas era rosbife ou bife do lombo; é a velha das flores do mercado de Campo de Ourique que além de não perceber um caracol de flores que às vezes pede 10 euros por molhos de flores que duram quase tanto como uma bola de sabão, ladra do cara*** nunca mais lá compro nada.

segunda-feira, 18 de Agosto de 2014

quarta-feira, 13 de Agosto de 2014

Mete as lições no rabo

Não sei se são só os portugueses ou se é um flagelo mundial, mas desconfio que é mundial mesmo, coisa de humanos, a mania de dar sermões. É que enquanto os sermões forem dados aos peixes está tudo muito bem, ficam para lá enfiados dentro de água, ninguém se chateia e pronto. Mas o problema é que não há ser pensante que não goste de abrir a boca para encher os ouvidos dos seus pares com lições de moral ou chamadas de atenção por qualquer merda que lhe passe pela cabeça ou que o excelentíssimo considere estar mal. O senhor do restaurante dá sermões aos clientes que não reservaram mesa, o velho do jardim dá sermões às crianças que gostam de pisar a relva, o homem do gás dá sermões porque o contactaram muito em cima da hora e assim não pode ser, não é assim que se fazem as coisas, o taxista dá um sermão porque a distância é curta e assim é gozar com o trabalho dos outros, os pais dão sermões aos filhos adultos que até já têm filhos, o patrão dá um sermão porque acha que ser chefe é passar a vida a dar descascas como se os funcionários fossem crianças. Os humanos gostam muito de se tratar uns aos outros como se fossem meninos pequenos que precisam de ser ensinados e chamados à atenção, repetem as mesmas merdas de ideias vezes sem conta mas com palavras diferentes e eu dá-me um fogo por dentro - mas em mau - e só não explodo mais vezes porque tenho o dom de me desligar quando a conversa me aborrece. Mas às vezes fica o som irritante da voz da outra pessoa a ecoar no meu cérebro e fico muito cansada de repente, de cabeça cheia e dou um grito. Acaba-se o sermão ou começa-se uma discussão, dependendo do interlocutor mas o que eu queria mesmo era dar-lhe com um martelo na cabeça.

terça-feira, 12 de Agosto de 2014

É que não há maneira, raios partam

... das embalagens da película aderente funcionarem como é suposto, acabo sempre com um emaranhado de plástico colado às mãos, meio metro de película inutilizável.
De aquecer a sopa à temperatura comestível tiro um pouco antes e está fria em baixo, ponho mais tempo e sai a ferver capaz de provocar queimaduras de terceiro grau.
De vestir as calças de ganga rotas nas pernas sem enfiar o dedo grande do pé nos buracos e enquanto luto para me soltar desequilibro-me e quase que aterro com os dentes da frente no chão porque as mãos estão ocupadas a segurar as calças.
De estar na cozinha ou na casa de banho sem enrolar os pés no tapete e dar tropeções a cada cinco minutos.
De acertar com os caminhos que já fiz 350 vezes quando estou com pressa.
De dizer salsicha como deve ser em vez de salxixa como uma bimba.
De escrever uam em vez de uma.
De me lembrar de me desviar do fumo/vapor nos olhos cada vez que abro o forno.
De abrir as embalagens dos medicamentos do lado da bula. Sempre. Tipo, sempre.


segunda-feira, 11 de Agosto de 2014

sábado, 9 de Agosto de 2014

Um ano de Amália

Sexta-feira fez um ano que a minha filha nasceu. Veio perfeita depois de 41 semanas dentro de mim. Pequenina e magrinha, com uns pés muito grandes, pernas fininhas de gafanhoto e os olhos muito escuros, sempre abertos. Ficava a olhar para mim muito séria e eu sem saber bem o que lhe fazer.
Chorava muito mas só quando tinha fome e comia de duas em duas horas - ainda hoje come muito mas não engorda. Uma sortuda esta minha filha. Há um ano estive dez horas em trabalho de parto mas pareceram cinco minutos. Quando ela saiu da minha barriga enorme, toda eu enorme, fiquei tão surpreendida com aquilo que nem parecia que tinha estado quase dez meses à espera dela, ansiosa, desejosa de a ver. Depois de tudo eu só queria dormir, fechar os olhos e descansar daquela imensidão de sentimentos que vieram como um camião TIR desgovernado. Não descansei. Cada vez que abria os olhos lá estava ela, tão bonita, perfeita, no berço ao meu lado, tão pequena e vulnerável e só comigo para lhe valer, uma mãe que sabia pouco e tinha mais medo de a deixar cair do que sei lá o quê.
Um ano depois a minha filha já anda, já quase corre, perdeu aquele ar sério e ri-se por tudo e por nada. O cabelo que durante algum tempo temi ser liso já faz uns caracóis indomáveis, como os da mãe e do pai. Um ano depois a minha filha continua perfeita, percebe quase tudo o que lhe digo e é infinitamente mais divertida do que quando nasceu. Com um ano dá-me abraços demorados, agarrada ao meu pescoço com muita força e a boca toda aberta no meu ombro. Faz high five, dança que nem uma louca cada vez que ouve música, aponta para tudo o que lhe interessa, ri-se e olha para mim cada vez que o vento lhe bate na cara à espera que eu diga "uauuuuu, é o vento" e ri-se outra vez. Ri-se muito esta minha filha e cada vez que o faz o meu coração fica louco de alegria e nunca fui tão feliz como quando estou com ela. A minha filha fez um ano e eu nem consigo acreditar que passaram 12 meses inteiros desde aquele dia quente em que fui à maternidade para ver se estava tudo bem e me disseram que o parto teria de ser induzido. Passou um ano e agora é que vai ser, vou educar um ser humano, eu que digo tantas asneiras, que gosto de ver desenhos animados, que acho que Coca-Cola é a melhor bebida do mundo e que os gelados deviam ser refeições. A minha filha fez um ano, a minha filha já tem um ano. Minha filha, com todos os "nhs" e lhs", sons quentinhos e macios como a pele dela, das bochechas, da barriga, juro que um dia a vou engolir, é este tanto infinito que gosto dela.

PS- As fotos que se seguem podem gerar algum medo. Falo das duas primeiras. Não se assustem. Sou eu com mais 30 quilos. Mas valeu a pena.





segunda-feira, 4 de Agosto de 2014

sexta-feira, 1 de Agosto de 2014

E depois uma amiga disse que aquilo dos miúdos serem egoístas...

... era mais ou menos como alguém que eu não conheço de lado nenhum chegar ao pé de mim e levar-me o carro para dar uma voltinha, sem sequer pedir. E mesmo que pedisse dizia-lhe para ir mas é pastar. E também não gosto nada de dividir sobremesas mesmo com o meu marido, porque é que as pessoas não pedem as coisas para elas e deixam as minhas em paz? Mas eu partilho que é para não me chamarem nomes e porque a sociedade assim o quer. Na Alemanha os pais incitam os filhos a não partilhar coisa nenhuma e a lutar pelo o que é deles, pelo menos foi o testemunho que li de uma mãe americana a viver na Alemanha. E eu até acho isso bem mas  por outro lado parece-me um pouco bárbaro e acho que não quero que a minha filha seja assim. Agora não me venham é pedir metade do meu gelado que correm o risco de ser mandados para um lugar feio.

quinta-feira, 31 de Julho de 2014

Das coisas que mais enervam na vida

Dizer "um amor maior" quando se fala de um filho.