Palavra de honra que me dá uma travadinha, um ataque de nervos com direito a espuma a sair pela boca e tudo, olhos raiados de sangue e punhos fechados prontos a desferir golpes ao acaso se ouvir mais alguém dizer Jimmy Choo, Manolo Blahnik ou Christian Louboutin. De repente toda a gente morre por um par de sapatos de solas vermelhas, toda a gente é super entendida em moda, toda a gente quer vestir Marc Jacobs, usar malas Louis Vuitton, mesmo que sejam todas iguais e feias como o raio, sem ponta de personalidade. Séries como o Sexo e a Cidade, Lipstick Jungle ou Máfia de Saltos Altos trazem mulheres modernas, independentes e muitíssimo bem vestidas, invariavelmente empoleiradas em saltos vertiginosos - caros como tudo - em qualquer ocasião. Até num resort no México, à beira da piscina, as criaturas do Sexo e a Cidade conseguem estar de fato de banho e saltos altos, a apanhar sol. Quem é que faz isso, por amor de Deus? As séries, que até podiam ser vistas como uma espécie de homenagem à amizade feminina, à ferocidade com que se defendem umas às outras, à disponibilidade que têm para os dramas das amigas, são apreendidas pelo gajedo como desfiles pomposos de roupa e sapatos e malas usados pelas protagonistas. Como se os grupos de amigas tivessem de ser, antes de outra coisa qualquer, um conjunto compostinho de gajas boas e bem vestidas e de preferência semelhantes entre si, outfitamente falando e tomem lá que inventei uma palavra. As pessoas são divididas entre as que se vestem bem e as que se vestem mal e a ostentação de modelos e marcas e novidades e coisas quanto mais caras melhor, tornou-se normal. A H&M faz um jeitinho e traz o Jimmy Choo para o povo e toda a gente acha normal e divertido passar a noite à porta da loja para conseguir açambarcar uns sapatos a 100 euros, baratíssimos, pois claro, para quem, pergunto eu. Blogues a caracterizar a inicitiva da H&M como "um grande evento", ai que emocionante passar horas numa fila em pé, na rua, para ter uns sapatinhos Jimmy Choo que há um ano nem sabia quem raio era o senhor mas agora tenho absolutamente de ter uns caso contrário corro o risco de a) ser socialmente excluída, b) dar-me um ataque qualquer. De repente toda a gente dá conselhos de moda, há 300 mil blogues com dicas e nem a imprensa se safa no que toca a dizer o que é que se usa, como se vestir a população toda à imagem das séries e catálogos de marcas de roupa conceituadas fosse o mais próximo da salvação do mundo, da erradicação da fome e da cura para as depressões. Deus nos livre de andar vestidas como nos dá na real gana que há logo um olhar de esguelha, mal disfarçado, de quem não aprova a vestimenta porque segundo os códigos sagrados de Sonia Rykiel, Stella McCartney ou Karl Lagerfeld para a H&M, cá está, não é assim que se conjugam peças nem cores. As pessoas são acometidas de febres inexplicáveis, que incluem galochas caras, modelos antigos e típicos de agricultores e trabalhadores britânicos da natureza em geral, remisturados e resmaterizadas como a música dos ano 90, ou como as covers de Britney Spears que cantadas por outros não parecem assim tão más.
E não me venham cá com merdas de «tu também usas coisas da moda, tu também te preocupas com essas coisas, tu também tens coisas que toda a gente tem». Com certeza que não vou para a rua vestida à Música no Coração, nem com a tenda de campismo de 1965 dos meus avós, mas daí a morrer por uns Jimmy Choo ou achar que quem não se veste bem - seja lá o que isso for - devia ser apedrejada em praça pública com justa causa, vai um oceano Atlântico de diferença.
domingo, 27 de Dezembro de 2009
sábado, 26 de Dezembro de 2009
Recebi isto
É uma caixa com um livro lá dentro e com dois mini posters e toda a história da Marvel. Espectacular. Sou a maior croma do mundo, mas que se lixe.
Obrigado ao menino e à menina que me ofereceram e ao mano que também comprou e teve de trocar à última hora porque já cá cantava. Love it.
Obrigado ao menino e à menina que me ofereceram e ao mano que também comprou e teve de trocar à última hora porque já cá cantava. Love it.
quarta-feira, 23 de Dezembro de 2009
segunda-feira, 21 de Dezembro de 2009
E para o primeiro dia de uma semana de férias não vai nada, nada, nada?
Tudo! Um tralho monumental!Desta feita arruinei um pulso e descadeirei-me. Espectacular.
domingo, 20 de Dezembro de 2009
Caro João Manzarra
Leididi sou eu, ok? Essa menina dos Ídolos canta muito bem e é uma das minhas preferidas, mas Leididi, Lady Di, sou eu, c*****, estamos entendidos?
Outra coisinha: alguém neste país devia proibir pessoas, no geral, de cantar em público a Gaivota. Sô Dona Amália deve dar voltas na tumba que ninguém merece. Ou bem que cantam a porra da música em versão fado e bem cantado ou calem-se para sempre. Lá por a Sónia Tavares e o seu amiguinho Nuno Gonçalves terem estragado a canção, não significa que toda a gente vá a correr imitá-los. Foda-se, é que não se aguenta. E pronto, lá disse mais uma asneira e qualquer dia a minha mãe deixa de me falar. Eu não me posso enervar, que é isto.
Outra coisinha: alguém neste país devia proibir pessoas, no geral, de cantar em público a Gaivota. Sô Dona Amália deve dar voltas na tumba que ninguém merece. Ou bem que cantam a porra da música em versão fado e bem cantado ou calem-se para sempre. Lá por a Sónia Tavares e o seu amiguinho Nuno Gonçalves terem estragado a canção, não significa que toda a gente vá a correr imitá-los. Foda-se, é que não se aguenta. E pronto, lá disse mais uma asneira e qualquer dia a minha mãe deixa de me falar. Eu não me posso enervar, que é isto.
sexta-feira, 18 de Dezembro de 2009
Dos presentes e das prendas
Não sei que raio me aconteceu este ano mas parece que ainda não é Natal. Comprei pouquíssimas prendas e não faço ideia do que hei-de oferecer a - basicamente - ninguém. Este ano passou-me tudo ao lado, salvo raras excepções. E nem sequer estou preparada para receber prendas. O acto de desembrulhar presentes parece-me deslocado, como se não fosse suposto acontecer.
A verdade é que esta coisa de não saber o que oferecer faz-me sentir afastada das pessoas, desligada. Como se este ano não lhes tivesse prestado atenção, como se não lhes tivesse dado importância. Não retive desejos, anseios, livros que quisessem ler e o diabo a sete. Tenho cérebro vazio de ideias.
E agora a publicidade:
Como ideias são o que não faltam a esta senhora, é clicar, minha gente, e escolher coisas giras para oferecer. Eu já encomendei uma série delas, pelo sim, pelo não.
A verdade é que esta coisa de não saber o que oferecer faz-me sentir afastada das pessoas, desligada. Como se este ano não lhes tivesse prestado atenção, como se não lhes tivesse dado importância. Não retive desejos, anseios, livros que quisessem ler e o diabo a sete. Tenho cérebro vazio de ideias.
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Como ideias são o que não faltam a esta senhora, é clicar, minha gente, e escolher coisas giras para oferecer. Eu já encomendei uma série delas, pelo sim, pelo não.
quinta-feira, 17 de Dezembro de 2009
Tenho o olho esquerdo a tremer desde ontem. Não, engraçadinhos, não foi do sismo. Não sei que lhe faça, se o esmurre, se o vaze.
Um susto do catano
Foda-se. Primeiro achei que me estavam a tentar entrar pelo quarto adentro vindos da varanda, cuja porta e persiana abanavam furiosamente, o que não fazia sentido nenhum visto que me encontro a viver num quinto andar. Depois pensei que talvez fosse um mini tornado que me ia arrancar as persianas e deixar-me ao frio. Finalmente percebi que era um tremor de terra, dado que o chão e a cama tremiam, tudo tremia, eu tremia, what the fuck. E quem é que disse que eu adormecia a seguir? Foda-se.
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