segunda-feira, 2 de março de 2015

Cheguei ao estrelato - convidaram-me para tirar os pelos (pêlos?)

Nunca pensei que isto pudesse acontecer. Uma pessoa anda nisto vai para mais de dez anos e de repente convidam-me para experimentar uma depilação a laser, com aquela máquina com nome de doença de antigamente, a Alexandrite. Ora eu, cuja avó se chama Alexandrina e cuja relação com os pelos é muito difícil, aceitei. Experimentar um serviço novo em Lisboa? Vamos nessa.
A primeira vez que fui confrontada com o facto de ter as pernas cobertas de pelos foi na escola primária graças a um palhaço de um colega (Filipe Quintas, seu anormal) que achou por bem apontar a minha pilosidade aos berros no meio de uma aula. Eu, criança que gostava de usar saias, fiquei com vontade de 1) pontapear-lhe a cabeça e 2) de me esconder para sempre. Não fiz nenhuma destas opções e não pensei mais no caso. Só voltaria a pensar no assunto em 1994.
A Ultimate Laser fica no 244 da Avenida da Liberdade (chique) num cabeleireiro onde é possível lavar o cabelo deitada (mega chique).
Eu já tinha abraçado o laser na minha vida depois de ter perdido a minha depiladora de muitos anos. A única que me enchia de cera com mínima dor e que me desculpava os uivos de sofrimento. Procurei uma daquelas clínicas que tem lojas em todo o lado e cá vai disto. Resultou, mas senti-me parte de uma linha de montagem e ainda saí de lá com um frasco de gel de Aloe Vera que é tão útil como uma foca amestrada e que me custou os olhos da cara. Cada vez que lá ia parecia que era a primeira vez e nunca ninguém sabia muito bem quantas sessões já tinha feito e quando é que ia acabar.
Ora como hoje em dia tenho tanto tempo como o Super Homem (ou o Homem-Aranha), os pelos das minhas pernas começaram a ser eliminados com uma gillette. Os dias de perder meia hora de máquina em punho acabaram a partir do momento em que a minha filha nasceu. Por isso, venha a mim o laser.
No Ultimate Laser o atendimento é feito por uma única pessoa, a Natacha, que faz mil perguntas, explica o crescimento do pelo e responde com toda a paciência a todas as perguntas e até diz quantas sessões vão ser precisas. E não se esquece em que sessão vamos nem que zona do corpo estamos a fazer. E isso, parecendo que não, vale muito. Eu gosto de me sentir especial até quando vou ao talho, quanto mais à depilação.
A Alexandrite, essa exterminadora implacável, além de acabar com as pilosidades, ainda faz o favor de atirar com um ar frio para acalmar a dor (sim, dói, não vale a pena pôr-me aqui com coisas). Chama-se Dispositivo de Resfriamento Dinâmico e alivia um bocadinho. Peçam à Natacha para aumentar, se for preciso. 
Os preços são mais altos do que em outras clínicas mas a qualidade, já se sabe, paga-se. Não há volta a dar (ontem fui a uma frutaria mais barata do que aquela onde costumo ir e agora tenho legumes e fruta que não prestam para nada, só me apetece atirá-los pela janela).
Cliquem aqui e façam contas à vida. Para a próxima conto-vos a história da primeira vez que fiz a depilação. 

*este post foi patrocinado com raios laser Alexandrite vindos do planeta Ultimate Laser e escrito por uma pessoa sem pelos (pêlos?) nas pernas. Yei!

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Correr para ajudar

Quando a conheci ela não era assim. Ela não desatava a correr por tudo e por nada, ela nem as escadas subia, ia sempre de elevador. Quando a conheci ela comia massa como se não houvesse amanhã, muitos chocolates e coca-cola. Era uma magricela mas não corria nem para apanhar um autocarro. Mas como nos ríamos muito, pelo menos os abdominais ficavam despachados.
Onze anos depois, deu-lhe para isto. Agora corre de livre vontade. Pior: corre e aproveita para o fazer por boas causas. Louca, decidiu que este ano correria a primeira maratona (a sério, quem és tu e onde é que meteste a Ana?) e para tornar tudo ainda melhor, resolveu angariar um euro por cada metro corrido. 42 mil metros, 42 mil euros. Em vez de pegar no dinheiro e dar-me, vai doá-lo à ala pediátrica do IPO. Se isso não é bonito, não sei o que será. Esta mulher deu à luz e ficou assim, com o coração mole. Só me falta dizer que também chora com vídeos de cães bebés.
Mas como estas coisas não se fazem sozinhas, ela pede ajuda a todos: corredores ou não. Nem que seja com um euro. A maratona é só em Outubro, só nessa altura o IPO receberá o dinheiro angariado, pelo que podem fazer a transferência num mês que vos dê mais jeito.
Eu cá não corro nem que a minha vida dependa disso, mas prometo ajudar de outras formas.
Sigam este link para a lerem a coisa na primeira pessoa e guardem este nib:
0035 0229 00018829930 89 

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Manual de instruções

Pega nela ao colo e embala-a. Embala até as costas doerem, até os braços não poderem mais. Senta-te. Se ela não quiser sentar faz do braço esquerdo um apoio e com o direito segura a manta nas costas dela. Deixa-a esfregar o nariz na tua camisola, deixa-a ficar com a cabeça no teu peito e embala-a. Embala, embala, embala. Até não sentires o braço esquerdo, até os músculos da barriga doerem com o peso dela, até as costas ficarem dormentes, até o pescoço ficar como pedra. Beija- a na cabeça ao de leve. Põe o "Mint Car" dos Cure a tocar na tua cabeça. Embala mais um bocadinho. E quando a respiração ficar pesada, quando as mãos e os pés pararem de mexer, só aí a voltas a deitar na cama. Com cuidado, sem respirares, para ela não acordar. 

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Coitados dos bichos

Nunca poderia ser vegetariana nem crudívera porque não me corre nas veias um pingo de pena dos animais. Tenho pena que vivam em condições deploráveis só para nos alimentarem e preferia que vivessem felizes nos campos, mas não me dói o coração quando penso em comê-los. Tal como os leões também não têm pena nenhuma da bicharada que mata para comer. É a mesma coisa, só que nós somos mais espertos. Em podendo, é comer tudo antes que o sol exploda e morramos todos. Estamos no topo da cadeia alimentar, meus. Deixem-se de mariquices, porra. #somostodosbichoscaralho

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Nós em Marte

A cena é, enquanto nós estamos aqui na vida de sempre, mais ou menos ocupados, mais ou menos deprimidos, mais ou menos bem dispostos, mais ou menos apaixonados, mais ou menos zangados, a Mars One está a preparar uma equipa para ir para Marte com o objectivo de colonizar aquele planeta. Neste preciso momento há 100 candidatos seleccionados, pessoas como eu, como vocês, que se inscreveram para ir a Marte e não voltar. Porque essa é a cena: aquelas pessoas estão a ser preparadas para não voltar. 
Vamos para Marte, pessoal. MARTE! E também fomos à lua! No entanto, não é possível fazer o passaporte na embaixada portuguesa em Londres antes de Abril.
Uma empresa portuguesa vai poder enviar sementes de uma planta para Marte e nós criámos o cartão do cidadão para que todas as alterações sejam rápidas e online em vez de criar filas para as conservatórias mas afinal é preciso um código que nos dão num papel estúpido e que toda a gente perde e um leitor de chips que tem de se comprar. Enviar sementes para Marte é mais fácil do que alterar a morada fiscal.
Em 2018 Marte vai receber uma série de máquinas e merdas para preparar terreno para os futuros colonizadores mas cá não há ninguém que me dê uma hora certa para a instalação de serviços, é sempre entre as 8h e as 18h. Pode planear-se uma expedição a outros planetas mas cá na terra não se planeiam dias de trabalho.
Em 2024 seres humanos vão colonizar Marte (e provavelmente arruiná-lo) e aqui na terra obriga-se bebés a fazer o cartão do cidadão por causa de um seguro de saúde - o NIF e os pais não chegam, já se sabe que os bebés são uns bandidos do pior. aqui na terra as finanças penhoram uma conta bancária inteira mesmo que a dívida do cidadão seja de 20€. Aparentemente é mais fácil colonizar Marte do que tirar apenas o dinheiro que é devido e que lhes pertence. Deve ser coisa para um programa de computador daqueles mesmo avançados, que dão para enviar para o espaço e explorar a galáxia.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

As saudades que tenho do meu irmão

As saudades que tenho do meu irmão, lá longe no frio, deixou-me aqui sem ele, sem ninguém para discutir sobre livros, filmes e séries, ele a detestar quase tudo, eu a não concordar - quase nunca concordamos em nada. As saudades que tenho do meu irmão pequeno, sempre atrás de mim para todo o lado, sempre a querer brincar comigo e eu a fazer-lhe a vontade com os Playmobil e o barco dos piratas apesar de já ser demasiado crescida para isso. As saudades que tenho do meu irmão que era dread e ouvia Limp Bizkit (fomos juntos ao concerto no pavilhão Atlântico) e Slipknot, usava calças a cair pelo rabo abaixo e bonés para trás. Ainda era gordinho e mais baixo do que eu mas já tinha namoradas e já fumava, o malandro. As saudades que tenho do meu irmão e das nossas conversas nocturnas, ele cheio de dúvidas existenciais, eu a dar os melhores conselhos que conseguia, com o coração apertado por ele (soubesse eu o homem maravilhoso que se tornaria, destemido e responsável, não teria ficado tantas noites acordada até tarde a ouvir as lamúrias dele, ó caraças). As saudades que tenho de ver o Friends com ele, de lhe mostrar músicas, de conversar com ele sempre que me apetece e sem ser pelo Skype (que ele normalmente nunca atende).
As saudades que tenho do meu irmão às vezes deixam-me tão triste que sou capaz de explodir em lágrimas mas também me deixam feliz porque a distância lhe fez bem.
As saudades que tenho do meu irmão às vezes aparecem logo de manhã e prolongam-se o dia todo e eu fico para aqui de coração apertado e a pensar no sorriso dele e na voz sempre demasiado alta e só me apetece apanhar o avião e ir a correr ter com ele.
As saudades que tenho do meu irmão são infinitas e nunca passam porque quando estamos juntos o tempo é sempre curto. O tempo é sempre curto para os irmãos que vivem longe e que gostam uns dos outros como eu e o meu irmão e por isso as saudades que tenho do meu irmão nunca passam e só crescem, crescem, crescem, todos os dias um bocadinho mais.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Toda a gente fala das 50 Sombras de Grey e eu sou como toda a gente

Quando o primeiro livro saiu tive de o ler por razões profissionais. Foi uma tortura. Fiquei furiosa, zangada, incrédula, irritada. Mas no fundo era inveja. Inveja da coragem de E.L. James de assumir perante o mundo inteiro ser a autora de tamanho lixo literário. Valeu a pena (a coragem é recompensada pelo Universo) e a senhora ganhou mais dinheiro do que aquele que consigo contar. 
Eu teria feito um muito melhor trabalho no que toca às descrições sexuais. Passamos o livro todo à espera que aqueles dois fodam à bruta, mas em vez disso só fazem amor com umas palmadinhas pelo meio. O filme? Não vi. Ando há três dias a ver o Interstellar e ainda não acabei. Tenham dó.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Saudades de quando eras pequenina e me cabias no colo

Por causa deste post do sempre hilariante e espectacular A Paisana (chegam estes adjectivos, André?[ele ameaçou-me]), com a minha filha ao colo, encostada a mim e a dar-me cabo dos nervos porque não quer dormir, repito "saudades de quando eras pequenina e me cabias no colo". Mergulho o nariz nos caracóis dela e espero que, afinal, ela ainda demore muito tempo a adormecer.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

A música e isso #2

Eu, a Mariana e a Vânia a estudar no escritório dos pais da Mariana pela noite dentro para os exames da faculdade no último ano dos anos 90. Voltávamos para casa da Mariana no seu Matiz azul arroxeado com os Incubus a tocar o "Drive". Sabia a música toda de cor e achava o Brandon lindo, tinha os álbuns todos deles e fui ao concerto no Pavilhão Atlântico. Mas depois começaram a fazer música má e desisti. Mas sempre que os oiço lembro-me de nós as três, da vida boa, das tantas horas juntas e agora está uma no Brasil e só a vemos uma vez por ano se tivermos sorte. Aquela canção somos nós as três e as viagens para o Alentejo e o Sudoeste e o esparguete com manteiga e alho às tantas da manhã.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

A música e isso #1

Ontem pus-me a ouvir a rádio dos anos 90 do Spotify. Já estava farta da dos anos 60 que repete as mesmas canções várias vezes por dia e da indie/alternativa cuja playlist já sei de cor. Foi a melhor coisa que fiz nos últimos tempos, caramba, por mais estúpido que possa soar. Tem sido uma viagem atrás da outra, cada canção com uma história para contar. Até as pirosas eu oiço porque, enfim, lembra-me de coisas. Ou faz-me sentir coisas.
Tinha uns 13/14 anos quando ouvi o "Are you gonna go my way" do Lenny Kravitz pela primeira vez, naquela altura em que ele ainda fazia música fixe, era eu no quarto no Filipe, mais o João, irmão dele, os meus amigos de infância, a ouvirmos aquilo aos berros e eu mais ou menos a dançar vestida com as minhas jardineiras calção às risquinhas azuis e brancas. Que totó. Que amorosa, ao mesmo tempo. E que caidinha eu estava pelo Filipe que nunca me ligou nenhuma, pelo menos não nesse aspecto. Não o vejo há demasiados anos. Costumávamos fazer isso, estar no quarto a ouvir música. Às vezes  líamos passagens de livros de adultos que encontrávamos lá em casa, Henry Miller e o Exorcista. E ríamos. Eles, principalmente. Acho que ficavam nervosos.